terça-feira, 29 de junho de 2010

PÓS-GRADUAÇÃO: É PRECISO PLANEJAR


Em meio a tanta competitividade no mercado de trabalho, cada dia mais é necessário buscar o aperfeiçoamento do currículo e das qualificações profissionais. Para quem deseja ser bem sucedido profissionalmente a pós-graduação já se tornou uma passo indispensável. Porém, para ingressar em uma especialização é preciso muito mais do que a vontade de iniciar um novo curso; também é essencial fazer um planejamento apurado para garantir as condições necessárias ao ingresso.
A pós-graduação vai além do investimento financeiro. Ela exige tempo, dedicação e obstinação, para que o estudante possa fazer um bom aproveitamento do curso e fazer jus ao dinheiro disponibilizado para a especialização, uma vez que os cursos tendem a ser caros.
De acordo com o coordenador de cursos da Fundação Getúlio Vargas, Ricardo Teixeira, a pós é sinônimo de investimento. O primeiro passo para cursar uma especialização é planejar o rumo que deseja dar a sua vida profissional. Depois disso, o tempo será o investimento mais necessário para se cursar a pós-graduação. Quando se escolhe uma especialização é preciso ter em mente que o período do curso é sempre superior a um ano, o que exigirá muita dedicação. "O estudante deve escolher fazer a pós em uma época da sua vida pessoal e profissional em que ele disponha de tempo, para que possa não só frequentar as aulas, mas também estudar fora sala de aula, o que é fundamental para obter um bom desempenho", alerta.
O coordenador ainda enfatiza que se o intuito realmente for agregar valor a sua vida profissional, é preciso ter a consciência de que para cada uma hora de aula, o aluno deve dedicar, no minimo, mais duas horas de estudo. "Eventualmente pode-se até tentar fazer a pós sem tanta dedicação, mas você não irá conseguir o melhor retorno para seu investimento, do ponto de vista de expectativa, de tempo, e dinheiro", acrescenta Ricardo.
Planejamento financeiro
O planejamento financeiro deve ser feito com muita calma e atenção. Primeiramente, é recomendável pesquisar em diferentes instituições, analisar suas alternativas e propostas, além de fazer cálculos, visando sempre o orçamento mensal. Ricardo Teixeira acredita que buscar uma opção de financiamento nas próprias instituições de ensino é a melhor alternativa, uma vez que elas apresentam planos de pagamento muito atraentes e com taxas acessíveis. "As formas de pagamento que os cursos oferecem, já são uma forma de financiamento, e, normalmente, são muito vantajosas se comparadas aos juros cobrados pelo mercado", observa.
Segundo ele, buscar a pós em uma universidade tradicional pode, além de incrementar o currículo, ajudar nas opções de financiamento, já que as instituições de grande porte oferecem mais créditos. Além disso, ele também ressalta crédito dos programas governamentais e financiamentos ofertados pelos bancos.
Para os estudantes que veem a pós-graduação como um projeto a longo prazo, poupar dinheiro através das tradicionais poupanças pode ser uma boa solução, uma vez que os estabelecimentos oferecem promoções para quem faz pagamento a vista. "Quem faz pelo menos a matricula alguns meses antes de começar o curso, mesmo que precise parcelar o restante, pode obter preços bem vantajosos quando comparados com o que é cobrado no início das aulas", explica o coordenador.
Ricardo Teixeira garante que para ingressar em uma pós-graduação, fazer um planejamento financeiro e de tempo é de extrema importância, pois não adianta ter o dinheiro para o investimento, mas não poder aproveitá-lo devido a falta de disponibilidade. Outro ponto importante é estar preparado para superar os imprevistos, pois eles sempre podem acontecer. "Um bom exemplo é quando uma pessoa perde o emprego, durante sua pós-graduação. Ela tem que estar preparada para conseguir concluir o curso e não abandonar seu projeto, desperdiçando assim seu investimento, pois ter a pós, geralmente, é o diferencial que oferece chances de empregabilidade com mais rapidez", finaliza.
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Matéria feita para o caderno especial de Pós-graduação da FOLHA DIRIGIDA- Junho/2010

segunda-feira, 21 de junho de 2010

SUCESSO NO VESTIBULAR

O sonho de uma carreira promissora para muitos coincide com o ingresso em uma universidade pública. Quem pretende entrar em um curso superior precisa ter muita determinação e força de vontade, já que para conseguir a tão sonhada vaga, muitas vezes é necessário fazer alguns sacrifícios, como reduzir o tempo reservado ao lazer.
A rotina de estudos dos vestibulandos tem base na nota mínima para aprovação, intitulada nota de corte, e na relação candidato/vaga, que são distintas entre os cursos, fator que explica, por exemplo, a aplicação maior de um estudante que pretende prestar medicina, que teve aproximadamente 42 inscritos por vaga para a Fuvest 2010, a um que almeja letras, aproximadamente quatro inscritos por vaga. Quem conseguiu a aprovação garante que sacrifícios e horas dedicadas aos estudos valem a pena, mas adverte que tudo deve ser feito moderadamente, já que o psicológico também é fundamental para conquistar o sucesso no vestibular.
O estudante Victor Sá Ramalho, de 22 anos, passou em 1° lugar no curso de História, da Universidade de São Paulo (USP). Para isso foi preciso muita dedicação, disciplina e foco. No ano em que iria prestar o vestibular, o estudante, além de cursar o terceiro ano do ensino médio, durante o segundo semestre frequentou o curso pré-vestibular, no período da tarde. "Comecei o cursinho somente no segundo semestre, mas já estava estudando por conta própria no decorrer de todo primeiro semestre". Além desta preparação, quando ainda estava no segundo médio, Victor prestou a Fuvest, na modalidade treineiro, o que considera ter sido essencial para conhecer o processo de avaliação da universidade e alcançar um bom resultado no ano seguinte.
Ser aprovado, principalmente em uma boa colocação, é resultado de muito estudo, o que ocupa maior parte do tempo do vestibulando. A consequência disso é a redução do tempo destinado a vida social. "Não deixei muitas coisas de lado, mas claro que tive que reduzir algumas horas do meu lazer, em função dos estudos", conta Victor. O estudante ainda explica que como a nota de corte de seu curso não era muito alta, pode se dedicar as matérias que tinha mais facilidade. "Tirei 4 em física, mas gabaritei história".
Contar com o apoio da família e de amigos, também é fundamental para o estudante que pretende ingressar em uma universidade, principalmente para conseguir manter o psicológico estável, uma vez que a ansiedade e o estresse causado pela rotina dos estudos podem atrapalhar o desempenho na prova. "A maior parte do tempo, durante o ano do vestibular, estive junto dos meus amigos, e isso fez com que a carga horária destinada aos estudos se tornasse menos penosa", conta o estudante.
Victor acredita que o principal para quem irá prestar o vestibular é confiar na própria capacidade e conseguir aproveitar o tempo de estudos, seja em casa, na escola ou no cursinho, sem torná-lo uma obrigação torturante. "Acredito que ter um caderno completo e prestar atenção nas aulas, sejam elas do colégio ou do cursinho, é super importante. Aquilo que o aluno aprendeu bem ao longo de todos os anos do colegial pode fazer toda a diferença, e proporciona maior tranquilidade para se estudar ao longo do ano do vestibular. Resolver abdicar de tudo durante um ano e estudar loucamente não me parece muito sensato."
Já a estudante do terceiro ano de Audiovisual da USP, Stephanie Degreas Chacur , de 22 anos, adotou uma rotina mais puxada, já que a nota de corte do seu curso é maior. Tanto esforço resultou no quinto lugar do vestibular. "Fiz cursinho e mantive uma rotina disciplinada de estudos. Tive que deixar de fazer muitas coisas, quase não saia, a não ser de final de semana, que era o tempo que eu me dava para descansar, mas, mesmo assim, escolhia programas mais calmos".
Hoje Stephanie está satisfeita com a sua vida de universitária e mesmo com toda atribulação, a jovem garante gostar, e aconselha a quem for prestar a prova este ano, a ter obstinação. "Estou um pouco desatualizada sobre qual a melhor forma para se preparar para o vestibular, mas acho que sempre será obstinação e calma na hora de fazer a prova". A jovem ainda aconselha os vestibulandos a terem certeza do curso para qual querem prestar, pois acredita que nunca é bom se arrepender por ter entrado em uma faculdade, para o qual você dedicou tanto tempo de estudo.
Os métodos de estudos variam de acordo com a necessidade de cada estudante e os sacrifícios sempre são necessários para se obter o sucesso. Porém entre tantos obstáculos, os estudantes garantem que no final, ao ver o nome entre os aprovados, o pensamento dos vestibulandos é somente um: tudo valeu a pena. "Fiquei muito feliz quando vi meu nome na lista, era para isso que estava estudando tanto, e consegui", diz Stephanie.
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Matéria feita para o caderno especial de Vestibulares da FOLHA DIRIGIDA - Junho/2010

sexta-feira, 18 de junho de 2010

ATUALIDADES NO VESTIBULAR

Matérias como Física, Matemática e Língua Portuguesa, fazem parte da rotina dos vestibulandos. Porém se dedicar somente às disciplinas do ensino médio não é o suficiente para conseguir um bom desempenho na prova e a tão sonhada vaga na universidade. Para isso, também é necessário estar atualizado com os acontecimentos do mundo.
De acordo coordenadora do Colégio e Curso Objetivo, e professora de geografia, Vera Lúcia Antunes, não é de hoje que estar antenado com o que acontece no nosso país e no exterior pode ser o diferencial na hora de prestar o tão temido vestibular. "Em uma palestra que assisti no ano passado, com jornalistas e outras profissionais da área da educação, a doutora Tânia Márcia Costa, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), disse que eles não querem que o futuro universitário, que vai cursar engenharia, medicina, ou qualquer outro curso, seja alienado com o que está acontecendo no planeta", conta. A professora ainda enfatiza que hoje, cada vez mais, os vestibulares contam com questões direcionadas ao que estamos vivendo e que esta abordagem é fundamental.
Segundo ela, o fator atualidades vai muito além da prova do vestibular. Ele é preciso durante todo período universitário e posteriormente na vida profissional. "A construção da Belo Monte Hidrelétrica, por exemplo, é um assunto que um futuro o engenheiro deve saber e verificar os prós e contras, para que tenha formada uma consciência ambiental", diz. Vera Lúcia ainda garante que este conhecimento e consciência devem ser adquiridos no decorrer de toda vida escolar e acredita que a função que o vestibular assume é justamente esta: fazer esta cobrança, para a universidade não admitir pessoas "bitoladas, quadradas e sem visão", garante.
Normalmente os estudantes acreditam que questões de atualidades são cobradas somente em Geografia, o que não é mais verdade. A tendência é que os vestibulares cada vez mais abordem temas atuais através de todas as disciplinas. "O meio ambiente, por exemplo, costuma ser tratado em geografia, biologia, química e até mesmo em física", explica Vera Lúcia. A professora ainda afirma a disciplina de Língua Inglesa os textos geralmente abordam assuntos econômicos recentes.
O fato de ler e acompanhar as notícias auxilia também os alunos a terem argumento para redigir a redação, além desenvolver a interpretação de texto e os conhecimentos ortográficos. "Em geral os temas das redações envolvem atualidades. Assuntos como natalidade, mortalidade, e questões sociais já foram abordados em provas anteriores, exigindo que o vestibulando tenha lido jornais e que estivesse por dentro do que está acontecendo", diz Vera Lúcia.
A disciplina história, apesar de trazer questões bem tradicionais, também costuma relacionar o passado com o presente. Para este ano, a professora acredita que provavelmente serão abordadas questões sobre os 50 anos de Brasília e seu fundador Juscelino Kubitschek. "A banca examinadora costuma pegar um gancho de um aniversário e comemoração e cobrar questões muito bem elaboradas, como por exemplo em 2004, quando houve um massacre na escola de Beslan, na Chechênia. As grandes universidades de São Paulo - Unesp, USP e Unicamp - colocaram uma questão com o mapa do país, devido à polêmica que o assunto gerou na mídia", lembra. A professora aconselha também o vestibulando a procurar saber o que é problema nuclear, além de estar bem informado sobre as questões ambientais.
Como se atualizar?
Para manter-se bem informado é essencial ler as notícias diariamente, seja no jornal, na internet ou em revistas, além de acompanhá-las pela televisão ou rádio. "Muitos alunos não conseguem conciliar a leitura de noticiários com o estudo dos conteúdos cobrados no vestibular. Para eles eu recomendo que leiam o primeiro parágrafo de cada notícia, pois ele já traz as informações principais. Com isso, o aluno poderá perceber se a matéria é de seu interesse ou não", aconselha a professora.
O período pré–vestibular é marcado por muito estudo, dedicação e consequentemente por falta de tempo. Por isso é necessário priorizar o que será mais importante para conquistar o sucesso no vestibular. O aluno precisa ser seletivo e saber escolher o que é indispensável estudar, pois não será possível se aprofundar em todos os conteúdos. As disciplinas cobradas no vestibular são essenciais e não devem ser deixadas de lado, mas o vestibulando tem que lembrar que manter-se atualizado é mais uma ferramenta para conseguir um bom desempenho na prova. "O diferencial que todos os estudantes buscam pode estar justamente neste ponto", acredita Vera Lúcia.
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Matéria feita para o caderno especial de Vestibular da FOLHA DIRIGIDA- Junho/2010

quarta-feira, 16 de junho de 2010

ORIENTAÇÃO VOCACIONAL



Concluir o ensino médio significa um período de muitas mudanças e decisões na vida do jovem formando. A principal e mais difícil delas é a escolha da carreira que irá exercer pelo resto da vida. Com tantas profissões que existem no atual mercado de trabalho, designer, jornalista, arquiteto, médico, administrador e tantas outras, o que não faltará na cabeça do recém - formado são dúvidas. Conflitos, indecisão, falta de orientação adequada, falta de autoconhecimento e pressão podem ser um dos motivos que tornam esta tarefa ainda mais complicada. Para ajudar a esclarecer estas e outras dúvidas e tornar mais fácil esta decisão, os jovens podem contar com o auxilio da orientação vocacional, um processo composto por diversas técnicas, que visa ajudar os jovens a fazer uma escolha bem fundamentada.
De acordo com a Psicologa Flávia Maria Marques, do Instituto Colméia, a orientação vocacional é um trabalho preventivo, que pode ser feito através de duas modalidades, a individual e em grupo. O intuito é ajudar o jovem a fazer uma escolha com mais liberdade e autonomia, conhecendo melhor a si próprio e a realidade do mercado que busca. " A orientação se baseia em dois pilares, a questão do auto-conhecimento e a questão das informações sobre profissões. Seu programa é composto por diversas técnicas, onde levamos o orientado a pensar no seu futuro, no seu estilo de vida, no que ele busca e no que determinada profissão significa para ele". A psicologa explica que dois jovens podem optar por publicidade, porém para cada um, a profissão tem um sentido diferente, dependendo de suas histórias de vida. " Estas análises são fundamentais, pois permitem que o orientado perceba se suas expectativas e necessidades serão alcançadas" acrescenta.
Muitos jovens tentam descobrir qual profissão se encaixa melhor em seu perfil fazendo testes vocacionais. Esses testes, geralmente são encontrados na internet, em sites de educação e informação, e visam mostrar qual área o indivíduo mais se identifica e as suas opções. O grande problema, é que esses sites não suprem a necessidade de quem busca uma orientação e muitas vezes acabam confundindo ainda mais a pessoa que está indecisa, uma vez que apresenta dezenas de carreiras que uma determinada área possui." Não acho os testes on-line muito nocivos, mas também não acredito que eles apresentem algum tipo de ajuda ou esclarecimento. Esses testes utilizam métodos psicométricos, ou seja estatísticas, que tiram a média das respostas e apontam inúmeras opções" esclarece Flávia.
Luísa Spinola, 20 anos, tinha muitas dúvidas a respeito de que carreira seguir quando terminou a escola. Para tentar resolver este problema, ela fez alguns testes on - line. Para complicar ainda mais sua escolha, o resultado acrescentou mais carreiras em sua lista de opção. " O teste on-line lhe mostra diversas opções, isso é complicado, eu acabei ficando mais indecisa". Depois de muita indecisão Luísa optou por buscar ajuda profissional, e ela ficou surpresa com o que a orientação lhe proporcionou " A orientação vocacional fez eu enxergar as coisas com uma clareza maior, algo que não é possível sozinho, quando há tantos conflitos e pressão em nossa mente. Hoje eu tenho certeza que de quero prestar psicologia e que o mercado é amplo para esta carreira".
Além da existência de dezenas de profissões, que complicam a escolha, há também uma questão que atormenta a todos que estão prestes a decidir qual carreira seguir: é preferível pensar no mercado de trabalho ou na satisfação profissional? De acordo com Flávia, o preferível é tentar conciliar as duas coisas. " Eu acredito que as pessoas fazem melhor o que gostam, mais não podemos deixar de lado o fato que existem profissões em que o mercado é mais complicado, como a área artística. Então levar o mercado em conta, também é fundamental, principalmente pelo fato de que ninguém nasce com vocação somente para uma área".
Buscar conhecer as profissões e as oportunidades do mercado de trabalho, analisar suas necessidades e espectativas, e procurar por uma orientação profissional, é o caminho mais adequado para quem está indeciso sobre que carreira seguir, mas desejar tomar uma decisão de forma consciente e não precipitada.
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Matéria feita para o cardeno especial do CIEE da FOLHA DIRIGIDA - 1º semestre/2010

terça-feira, 15 de junho de 2010

CURSINHO: UM DOS PASSOS FUNDAMENTAIS PARA A APROVAÇÃO

Simplesmente fazer cursinho pré-vestibular não basta, vestibulandos garantem que disciplina na hora de estudar e determinação são essenciais para alcançar o sucesso na prova.

Jovens recém formados no colégio, ou que ainda estão terminando o ensino médio, têm um só objetivo em mente: passar no vestibular. Para conseguir realizar suas metas, muitos contam com auxílio dos cursos pré vestibulares e se dedicam de corpo e alma aos estudos. Os motivos para ingressar em um cursinho são diversos. Para os mais jovens, reforçar o conhecimento adquirido no colégio; para os que saíram da escola há algum tempo, relembrar as matérias exigidas nos exames.
Ivan Steiner Truzzi, 19 anos, pretende prestar Direito na Universidade de São Paulo (USP), somente com conhecimento escolar achou que não conseguiria ir bem nas provas, então resolveu fazer cursinho no Anglo, instituição que prepara estudantes para ingressar nas universidades desde a década de 30. “O ambiente do cursinho é totalmente voltado para a prova do vestibular, diferentemente dos colégios comuns que, às vezes, não focam tanto nisso”, afirma Ivan.
Motivo semelhante levou o jovem de 17 anos, Júnior Machado, ao Etapa, cursinho que surgiu no começo do século XX. Júnior ainda não se formou no ensino médio, mas acredita que, agora, mais do que nunca, precisa adquirir todo conhecimento possível. “Ainda estou terminando o terceiro ano, mas acho que não estou preparado para prestar o vestibular, somente com o conteúdo que estou vendo e já vi no colégio. Não lembro muita coisa do primeiro ano, nem do começo do segundo, sem o cursinho acho que minhas chances seriam menores, por querer ingressar em uma faculdade pública”. O estudante pretende prestar Produção Áudio-visual na USP e Ciências Biológicas na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).
Luísa Spinola, 20 anos, já tinha feito cursinho assim que saiu do colégio, mas desistiu. Depois de três anos ela voltou para o Objetivo, cursinho que surgiu em 1970 , desta vez determinada a passar em psicologia. “O cursinho nos oferece um nível de ensino que infelizmente não vemos nas escolas, sejam elas públicas ou particulares. Ele é fundamental para preencher a brecha que há no ensino brasileiro, e sem ele seria difícil termos a base necessária para aprovação em uma boa instituição de ensino superior.
Recapitular o conteúdo de três anos de ensino médio, onde aprendemos as disciplinas exigidas no vestibular, é uma tarefa extremamente difícil para quem tem um ano, ou somente seis meses, o caso de quem ingressa nos semi-intensivos dos cursos preparatórios. É nesta hora que os estudantes percebem a importância dos cursinhos, onde os professores são especializados em passar somente o que será necessário, de uma forma dinâmica e objetiva. “ No colégio os professores abrangem muitas vezes coisa relevantes, que serão importantes para passar de ano, não no vestibular. Os profissionais dos cursinho são mais objetivos, é isso que precisamos neste momento”, garante Júnior. Luísa pensa o mesmo. “A principal diferença dos cursinhos e da escola está na forma de ensinar. Os professores do cursinho possuem uma didática que consegue prender a atenção dos alunos e, muitas vezes, a pessoa sai do cursinho gostando de uma disciplina que na escola odiava”
Determinação e disciplina são os pontos fundamentais para os vestibulando, que precisam competir com milhares de estudantes. Para se ter uma ideia, segundo a comissão permanente para os vestibulares da Unicamp (Comvest) no ano passado, 49.462 pessoas concorram a uma das 2.954 vagas oferecidas pela universidade. De acordo com a Vunesp, a Universidade Estadual Paulista (Unesp) registrou no mesmo ano, 76.452 inscritos para 6.394 vagas. Já a Fuvest, informou em relatório oficial que a Universidade Paulista (USP) obteve 128.144 inscrições para 10.812.
Pensando nesta concorrência, quem quer ingressar em uma das faculdades públicas do Brasil, precisa de muita força de vontade. “Minha rotina é muito corrida. Quando eu não estou estudando aqui, no Anglo, busco ler minhas apostilas em casa, para não ficar atrás dos demais concorrentes. Nos finais de semana, eu procuro relaxar e fazer atividades de que eu gosto, mas nem sempre é possível”, revela Ivan.
Júnior, está em um pique ainda maior, ele nos conta que, para passar na faculdade, deixa de fazer muitas coisas, as principais são dormir e ter vida social. “Vou para escola de manhã, chego e estudo as matérias do cursinho durante toda tarde e, à noite, venho para cá, isso quando não chego cedo e passo a tarde por aqui mesmo”. Ele ainda acrescenta que para ver seu nome na lista de aprovados, pretende estudar, até não ter mais forças.
Ivan também pretende se dedicar o máximo possível. “O que eu considero mais importante é a dedicação que o estudante deve ter para seguir sempre concentrado nos seus objetivos. É claro que todos gostam de sair com os amigos para se divertir, por exemplo, mas, em certos momentos, devemos abrir mão de algumas coisas para, talvez, colhermos bons frutos no futuro”.
Para Luísa, o estudo tem estar acompanhado de uma certa moderação, pois o esgotamento mental pode atrapalhar na hora de prestar o vestibular. “Não deixo de fazer muitas coisas, mas às vezes preciso escolher entre ir a uma festa ou estudar. Temos que saber dosar as duas coisas, o estudo e o lazer. Acho que é extremamente necessário ter momentos de lazer, pois se ficamos obcecados em estudar acabamos prejudicando nossa saúde mental e, consequentemente, o próprio andamento do estudo e nossas relações sociais”.
Os vestibulandos, além de toda determinação e responsabilidade com os estudos, acreditam que pensar positivo também é fundamental. Quando questionados sobre o que farão caso não sejam aprovados, a resposta é unânime: “Nem penso em não ser aprovado”. A aplicação das provas dos principais vestibulares do Estado, Fuvest, Unicamp, Unesp, Ufscar e Unifesp, ocorrerão a partir do mês de Novembro. Enquanto as provas não chegam, todos só pensam em uma coisa, estudar.
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Texto acadêmico elaborado para a disciplina de Jornal Laboratório - Maio/2010

A INDUSTRIA DO CONCURSO PÚBLICO PARA CADASTRO RESERVA.



Ser servidor público, ter estabilidade e uma boa remuneração, é o sonho de muitos brasileiros. Porém, a expectativa de ter passado em um concurso público, pode ser tornar uma frustração, quando a vaga é destinada a cadastro reserva, e a convocação não ocorre dentro do prazo de validade do concurso.
Todo órgão público realiza o preenchimento de seus quadros de funcionários, através dos concursos. Ultimamente, é comum a realização de seleções na modalidade Cadastro reserva, que estipula em seu edital, que os candidatos serão chamados a medida que as vagas forem surgindo. Ou seja, os aprovados ficam em uma “lista de espera”. Uma vez que a validade do concurso acaba, o candidato não tem mais direito do ingresso na carreira pública.
Um aspecto importante de se ressaltar é que, na maioria das vezes, o edital não divulga o número total de vagas existentes para serem preenchidas. Com isso, não é possível a publicação da classificação final dos candidatos aprovados em relação ao número de vagas a serem ocupadas. Assim, os aprovados no “concurso público para cadastro reserva de vagas” ficam impedido de verificar se o poder público está fazendo a convocação na ordem real de classificação, e se estão sendo realmente preenchidas o número total de vagas existentes.
Outro ponto fundamental é a existência de taxas de inscrição, cobradas de acordo com o nível escolar. Analisando os editais de renomadas organizadoras de concursos públicos, como o Instituto Vunesp e a Fundação Carlos Chagas, pode-se observar que eles deixam claro que sobre hipótese alguma o candidato será ressarcido do valor pago, exceto se o concurso for cancelado. Como não há garantia que as vagas serão realmente preenchidas, já que se refere a concurso de cadastro reserva, a taxa de inscrição acaba servindo para outra finalidade, cujo não há qualquer controle por parte da sociedade. Entramos em contado com as organizadoras citadas, para saber qual a porcentagem de convocação dos aprovados, ambas relataram não estarem autorizadas a divulgar este tipo de informação. Concluímos então que, não é de interesse nem dos órgãos públicos, nem das organizadoras, prestar contas sobre o número de convocados no concurso para cadastro reserva, uma vez que, pode-se acabar com o interesse dos concurseiros neste tipo de seleção, assim acabando com a arrecadação das taxa de inscrição. Para se ter uma ideia, cada concurso conta com pelo menos mil inscritos, se cada um deles pagar o valor de R$30, por exemplo, a arrecadação seria de 30 mil reais.
O advogado Sergio Bahiense Colão, em artigo à Revista de Direito Tribunal de Justiça, do estado do Rio de Janeiro, explica que o concurso público de provas e títulos, seleção que está presente em todos concursos, já possui um tipo de “cadastro reserva”, pois o candidato aprovado que não tenha sido classificado no número de vagas existentes, possui direito a ser convocado, com prioridade, sobre novos concurseiros, durante o prazo de validade do concurso previsto no edital, para assumir o cargos, conforme inciso IV do artigo 37, da atual Constituição Federal:
“Art 37 (...)IV - durante o prazo improrrogável previsto no edital de convocação, aquele aprovado em concurso público de provas ou de provas e títulos será convocado com prioridade sobre novos concursados para assumir cargo ou emprego, na carreira;”.
Desta forma, sendo incoerente a criação desta modalidade, uma vez que ela já é abrangida por constituição, nos concursos públicos de provas e provas de títulos, não havendo nenhum interesse em sua realização, a não ser a arrecadação de capital.
Daniela Santis, 26 anos, procurava estabilidade financeira, quando resolveu ingressar em um curso preparatório, para tentar passar em um concurso público. Além do investimento que fez para se preparar para a prova, ela pagou a taxa de R$50 para se inscrever no concurso de Auxiliar Administrativo, na área da saúde. “ Prestei o concurso público para cadastro reserva no final de 2008 e passei,mas a validade já está quase acabando. Para as pessoas que assim como eu, estão aguardando a convocação, só tenho uma coisa a dizer, não criem expectativas”, aconselha a concurseira. Daniela, acredita que seu esforço, o investimento e o tempo dedicado aos estudos, não valeram a pena, “ Talvez seria melhor ter me especializado na área em que sou formada (Secretariado), para uma melhor colocação em uma empresa privada.”
No último dia 24 de Fevereiro , foi aprovado pela Comissão de Assuntos Sociais do Senado (CAS) o projeto de lei de autoria do senador Expedito Júnior, o qual veta a realização de concursos públicos exclusivamente para cadastro de reserva. A proposta ainda será examinada pala Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJC) e decisão terminativa.
O projeto de lei número 369 proposto em 2008 (PLS 369/08) obriga as instuições realizadoras de concursos a informar em editais o número de vagas a serem providas. Desta forma só passam a ser permitido o cadastro de reserva quando houver número de aprovados excedente ao de vagas a serem preenchidas.
Segundo Expedito Júnior em seu texto inicial do projeto a prática do concurso público para cadastro de reserva, trata-se de um verdadeiro atentado aos princípios da moralidade. Ainda em seu texto o senador diz que a prática não faz sentido: “ - Ou a Administração carece de novos quadros, e por isso promove o concurso, ou, não estando necessitada de mais servidores, falta-lhe interesse legítimo para deflagrar o processo seletivo.” O senador finaliza seu texto dizendo que o Estado não pode brincar com a boa-fé do cidadão, pois ao não nomear um candidato aprovado o prejuízo se estende não só ao próprio candidato, como a instituição que passa a ter os concursos vistos com desconfiança.
Em acordo com Expedito Júnior o relator da votação, Senador Efraim de Morais, ressalta que é inaceitável a realização de processos seletivos para vagas inexistentes, pois os custos gerados ao candidato beneficiam somente a “indústria dos concursos”.
Marco Aurélio Mello, ministro do STF diz que :“ - a Administração Pública não pode brincar com o cidadão, convocando-o para um certame e depois, simplesmente, deixando esgotar o prazo de validade do concurso sem proceder às nomeações”
A aprovação da lei visa evitar uma frustração por parte dos cidadãos quanto a mais uma prática questionável do governo.
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Texto acadêmico elaborado para a disciplina Jornalismo Investigativo - Abril/2010 - Texto: Analú Barbosa